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Retireiros

Publicado: Quinta, 07 de Julho de 2016, 17h08 | Última atualização em Sexta, 08 de Julho de 2016, 16h11 | Acessos: 170

Histórico

“É difícil saber o que vai ser dos retiros no futuro. Essas brigas sempre tiveram. A gente torce para continuar os retiro, né!” (M.S., 59 – retireiro)

As áreas ocupadas por essa comunidade eram anteriormente povoadas apenas por indígenas. Porém, desde o período de colonização e com os catequistas, esses povos indígenas tiveram suas vidas e terras modificadas pela intervenção dos não-indígenas. Na época da expansão territorial, as terras da região foram vendidas a preços muito baixos para grandes proprietários, empresários e fazendeiros. Os retireiros têm sua origem a partir da política de incentivo à ocupação dos territórios a oeste do país, por parte do governo há mais de 70 anos, e com a expansão territorial da pecuária. Muitos sertanejos vieram para a região às margens do Rio Araguaia em busca de terras, mas a distribuição destas se deu de forma desordenada e muitas pessoas acabaram com pouca terra.  

A relação dos retireiros com os indígenas também é conflituosa, embora os maiores problemas estejam na relação com os fazendeiros e comerciantes. Processos como grilagem de terras, desmatamento e cercamento de áreas antes utilizadas de forma comum pelas comunidades são ações decorrentes desse movimento de usurpação dos territórios. As terras das margens do rio são cobiçadas pelos pecuaristas por causa da qualidade do pasto natural, que ganha reforço com os sedimentos trazidos pelas águas do Araguaia em tempo de cheia.

Nos mais de 70 anos de ocupação pelo retireiros, essas terras não foram reivindicadas por nenhum proprietário privado e, quando o foram, os documentos apresentados não eram legítimos.

Atualmente os chamados retireiros do Araguaia vivem no município de Luciara/MT, divisa dos estados de Mato Grosso e Tocantins. Alguns retireiros mais velhos contam que do município onde vivem atualmente recebeu este nome em homenagem ao precursor dos retiros.

Ainda na região do Araguaia, outra comunidade de retireiros, da qual alguns descendem, ocupava a região da Ilha do Bananal/TO. Na ilha, o trabalho em retiros foi amplamente utilizado pela população, principalmente por ter ambiente similar ao de Luciara (região alagada, com vegetação própria para manejo e alimentação do gabo bovino). Os retireiros saíram da Ilha após a demarcação das terras como reservas biológicas e indígenas.

A vida na comunidade é marcada pelo trabalho nos retiros, enquanto este é regido pela sazonalidade do ambiente, no qual o clima é marcado por apenas duas estações do ano, verão e inverno, onde o inverno é a época de cheias. Essa época, em geral, dá-se entre os meses de dezembro e abril. 

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