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Povos de Terreiro

Publicado: Quinta, 07 de Julho de 2016, 16h26 | Última atualização em Sexta, 08 de Julho de 2016, 16h09 | Acessos: 177

Histórico

Essas religiosidades se formaram no Brasil a partir do Século XVII por conta da escravização de diversas populações africanas no contexto da colonização. Desta maneira, são amplas as influências que receberam das diversas etnias africanas das quais se originam.

Resultado de uma síntese cultural de diversos grupos étnicos africanos é uma recriação afro-brasileira dos repertórios culturais, sociais e políticos originários. Resultam de um intenso processo de rupturas e continuidades das práticas em razão de terem sido por muito tempo proibidas e perseguidas.

Historicamente, o candomblé é a religião de matriz africana com o maior número de adeptos. Os modelos mais conhecidos são os surgidos nas cidades de Salvador, Recife e Rio de Janeiro, por conta do grande número de negros escravizados presentes nessas cidades que foram também, centros políticos, econômicos e administrativos importantes no período colonial.

Aproveitando-se de brechas do sistema, foi em torno das irmandades negras no interior das igrejas católicas que surgiram os primeiros candomblés que se tem notícias na cidade de Salvador/Bahia, como é o exemplo do Ile Axé Ya Nassó Oka, fundado por volta de 1890 no interior da Igreja da Barroquinha, por três mulheres Ia Nassô, Ia Detá e Ia Kalá, posteriormente transferido para o Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, em atividade até os dias de hoje.

Na cidade do Recife, os candomblés recebem o nome de Xangô, numa alusão à divindade cultuada nesses terreiros, a casa mais antiga é o Sitio do Pai Adão que data de 1885.

Já no Rio de Janeiro, teria sido fundado em 1886 um terreiro na região conhecida como Pequena África, atual Gamboa, que não se manteve mas originou outras casas de culto em toda a cidade.

Os candomblés se identificam como pertencentes às chamadas nações. As nações de candomblé são subgrupos de identificação dessas populações que se reconhecem por possuírem repertórios culturais e linguísticos comuns com alguma etnia africanas. Segundo Raul Lody (1987):

A identidade do candomblé segue soluções étnicas chamadas nações de candomblé. Não são, em momento algum, transculturações puras ou simples: são expressões e cargas culturais de certos grupos que viveram encontros aculturativos intra e interétnicos, tanto nas regiões de origem quanto na acelerada dinâmica de formação da chamada cultura afro-brasileira (Raul Lody, 1987. pp.10/11).

Desta maneira, as nações apresentam divisões, que se referem à forma de organização dos cultos, bem como a ligação linguística com algumas etnias africanas: nação ketu-nagô e nação jexá ou ijexá se referem aos povos conhecidos como iorubás originários da atual Nigéria, Benin e do Togo. Nação angola, se refere aos povos da cultura banto originários de Angola, Sudão, Congo e Moçambique. Nação jeje: se refere aos povos de origem fon, presentes no Togo, Daomé, Gana e Burkina Faso.

Quanto às origens das religiões de matrizes africanas, enquanto o batuque do Rio Grande do Sul se originou dos povos iorubás e banto; o tambor de mina do Maranhão recebeu maior influência das populações fon; a pajelança do interior do Nordeste recebeu influência das filosofias indígenas e dos povos bantos; já a umbanda teve como base de matriz africana os povos bantos.

Nos dias de hoje, essas religiosidades estão espalhadas por todo país e também por outros países da América do Sul, especificamente o batuque do Rio Grande do Sul, que por conta das proximidades geográficas com países como a Argentina, Uruguai e Paraguai expandiu-se nesses locais, levadas pelos povos de terreiros que as praticam.

O tambor de mina em sua grande maioria é encontrado em várias cidades do Estado do Maranhão e em números expressivos em São Paulo e Rio de Janeiro.

A umbanda, que historicamente surge nas cidades mais urbanizadas, tem nesses centros urbanos maior expressividade, sendo encontrada principalmente nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Belo Horizonte.

Os terreiros de candomblé, famosos na cidade de Salvador, possuem comunidades religiosas importantes também na região do Recôncavo Baiano, como Cachoeira, São Félix, Santo Amaro e Maragojipe.  Nas regiões Sul e Sudeste o candomblé teve um aumento significativo em meados dos anos 50 com a intensa migração nordestina, muitos migrantes articularam redes de terreiros entre Sul-Sudeste e Nordeste.

A pajelança é encontrada nos estados da região Norte, por conta das populações afro-indígena que as formaram.

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