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Pomeranos

Publicado: Quinta, 07 de Julho de 2016, 16h18 | Última atualização em Quinta, 14 de Julho de 2016, 19h00 | Acessos: 119

Características

As comunidades pomeranas localizam-se principalmente nos estados do Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rondônia. Em menor número, em Minas Gerais e no Paraná também.

O modo de vida pomerano é austero, com uma rotina pesada de trabalho na lavoura e na criação de animais. Os pomeranos caracterizam-se como produtores rurais, trabalhadores fortes e dedicados, com pouca preocupação com novidades da vida moderna. Geralmente trabalham até idade avançada. A cultura pomerana, baseada na organização da vida diária familiar e no trabalho na lavoura, pouco mudou desde a chegada dos primeiros imigrantes europeus. É alto o grau de permanência de tradições e valores originais, mantendo o espírito de família, a religiosidade, a língua e o comunitarismo de uma forma que já praticamente não existe mais na Europa. Dá-se mais valor para a educação religiosa do que para a educação formal, pois se considera que a religião forma o caráter para a vida no campo e é entendida como herança cultural. Há grande evasão escolar em diversas comunidades e muitos não chegam ao segundo grau por conta da necessidade de apoio dos jovens no trabalho do campo.

A “Confirmação” é o estudo das leis religiosas que culmina no batismo e na inserção na sociedade adulta, sendo um grande marco na vida dos pomeranos. Este período de passagem dura de dois a três anos, finalizando-se entre os 15 e 16 anos de idade. Geralmente a confirmação é feita toda em língua alemã.

“O ensino reflete uma prática e uma visão de mundo ligadas aos valores mais caros ao mundo camponês (respeito à autoridade paterna e ao trabalho) e também ao significado da igreja na reprodução dos valores identitários.” 2

A divisão do trabalho supõe que o homem cuide da lavoura em tempo integral e faça as vendas e negociações comerciais, enquanto as mulheres cuidam dos afazeres domésticos, dos filhos, auxiliam na lavoura e cuidam de pequenos animais para venda ou consumo próprio. O trabalho, as terras e ferramentas são, em sua maioria, de uso comum pela família estendida. A falta de disponibilidade de terras para expansão da família faz com que os filhos, ao se casarem, mantenham-se morando próximos às casas dos pais, sendo que um deles (geralmente o mais novo) é designado para morar com os pais na casa maior e para cuidar deles na velhice, herdando a casa posteriormente.

Este grupo social sofreu perseguição cultural, principalmente nas décadas de 1930 e 40, por conta de sua ascendência e pelo do posicionamento do governo Vargas e do Brasil frente à II Guerra Mundial. Nessa época o Brasil se posicionou em apoio aos Aliados (Estados Unidos, Reino Unido e União Soviética) e em contraponto aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), dentre os quais a Alemanha nazista. A ascendência pomerana, que possui traços alemães, os fez serem hostilizados e estigmatizados em terras brasileiras. Nessa época, escolas pomeranas e igrejas foram fechadas, o uso da língua alemã foi proibido e diversos livros foram apreendidos pelo governo brasileiro. Este fato acabou reforçando o distanciamento da cultura local e dos hábitos, mantendo-os reservados e desconfiados com pessoas de fora. Ainda hoje, os pomeranos precisam lidar com problemas típicos dos pequenos proprietários agricultores, como a destruição dos recursos naturais que lhes garantem a subsistência e as pressões de grandes latifundiários e posseiros de terras.

 

Referência

BAHIA, J. A "lei da vida": confirmação, evasão escolar e reinvenção da identidade entre os pomeranos. Educ Pesq,  São Paulo ,  v. 27, n. 1, June  2001. 2Citação

BAHIA, J. Práticas mágicas e bruxaria entre as pomeranas. Ciencias Sociales y Religión/Ciências Sociais e Religião, Porto Alegre, ano 2, n. 2, p. 153-176, set. 2000

BEILKE, N. S. V. Pomerano: uma variedade germânica em Minas Gerais. Anais do SILEL. v. 3, n. 1. Uberlândia: EDUFU, 2013.

BORK, L. Aspectos histórico-culturais da emigração pomerana. Anais Eletrônicos do II Congresso Internacional de História Regional, 2013. ISSN 2318-6208

BOSENBECKER, V.P.; CERQUEIRA, F.V. Influências da cultura pomerana nos sítios rurais pelotenses: um estudo de caso. Anais do IV Seminário Internacional de Memória e Patrimônio. Pelotas: Editora da UFPel, 2010. p.947-962.

CAPUCHO, M. C.; JARDIM, A. P. Os pomeranos e a violência: a percepção de descendentes de imigrantes pomeranos sobre o alto índice de suicídio e homicídio na Comunidade de Santa Maria de Jetibá. Gerais, Rev. Interinst. Psicol.,  Belo Horizonte ,  v. 6, n. 1, jun.  2013.

FEHLBERG, J.; MENANDRO, P. R. M. Terra, família e trabalho entre descendentes de pomeranos no Espírito Santo. Barbaroi,  Santa Cruz do Sul ,  n. 34, jun.  2011. Disponível em (Acesse o artigo.).

GRANZOW, K. Pomeranos sob o Cruzeiro do Sul: colonos alemães no Brasil. Vitória: Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, 2009. 226 p.: il., mapas. (Coleção Canaã, 10) 1Citação

KLUMB, G. P. A cultura dos imigrantes pomeranos como atrativo do turismo rural em São Lourenço do Sul/RS. V Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura. Salvador Faculdade de Comunicação/UFBa, mai. 2009.

LIMA, A. P. A.; DIAS, R. Turismo e cultura pomerana em Santa Maria do Jetibá/ES. Reuna, v. 12, n. 2, 2007. p. 11-20.

SALAMONI, G. A imigração alemã no Rio Grande do Sul: o caso da comunidade pomerana de Pelotas. História em Revista, Pelotas, v. 7, n. 1, dez.2001. p. 25-42.

TRESSMANN, I. O Pomerano: uma língua baixo-saxônica. Educação, Cultura, Sociedade: Revista da Faculdade da Região Serrana, v. 1. Santa Maria de Jetibá, 2008. p. 10-21.

TRESSMANN, I. O casamento Pomerano: uma etnografia. 3 p.  (Acesse o artigo em PDF.).

Reportagem Globo. Conheça os pomeranos e saiba como eles chegaram ao ES (Acesse a notícia.).

Notícia. O calendário pomerano: datas e épocas importantes. (Acesse a notícia.).

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