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Piaçaveiros

Publicado: Quinta, 07 de Julho de 2016, 16h07 | Última atualização em Sexta, 08 de Julho de 2016, 16h07 | Acessos: 160

Histórico

Ainda hoje, o extrativismo é uma importante atividade econômica no norte e no nordeste. Há mais de cem anos, os extrativistas vêm realizando a exploração sustentada de seringueiras, piaçabeiras, castanheiras e diversos outros produtos.

A extração de piaçaba segue a lógica de exploração dos recursos amazônicos e as relações colonialistas que se desenvolvem há séculos na região amazônica, com ciclos extrativistas sucessivos. Esses ciclos tiveram seu ápice na extração da borracha, no qual milhares de pessoas migraram do Nordeste para a Amazônia em diversos períodos desde o século XIX. Com a crise da borracha, muitos foram embora, mas uma parte das pessoas se manteve na Amazônia exercendo a extração de outros produtos, como buriti, castanha, piaçaba, etc. Os índios já realizavam, desde séculos atrás, a exploração da piaçaba para fins próprios. Estes sofreram um longo processo de perseguições, missões e diversos tipos de aculturação por contato com a cultura branca e com religiões católica e evangélica.

Na Bahia, a prática também é secular e ligada à herança de uso por parte das populações indígenas que povoavam a região na época da colonização brasileira. Assim como ocorre com os indígenas na Amazônia, a vida de comunidades inteiras depende da coleta desta fibra, cujo ofício é passado de pai para filho. Atualmente, a produção é mais forte nos municípios de Cairu, Nilo Peçanha, Ituberá e Camamu.

A piaçava já chamava atenção desde a época do descobrimento e das primeiras colônias na Bahia pois os primeiros exploradores identificaram seu potencial para produzir cordas para navios e outros itens já produzidos pelos índios. Sendo uma espécie endêmica do sul da Bahia, essa espécie de piaçaba quase foi extinta por conta do desmatamento predatório da Mata Atlântica, da qual hoje restam alguns remanescentes preservados. A exemplo do que ocorreu com as comunidades na Amazônia, a extração passou por um processo de exploração das comunidades tradicionais e dos extrativistas por pessoas que detinham ou reivindicavam para si a posse das áreas nos quais as palmeiras cresciam. Apesar disso, índios, caiçaras e ribeirinhos continuaram baseando suas vidas na extração da fibra.

A produção de vassouras nas comunidades piaçabeiras ocorre há décadas em um sistema cada vez mais industrializado, e há cerca de 20 anos, iniciativas governamentais e do terceiro setor em parceria com os coletores têm buscado resgatar o senso de comunidade e a autonomia dessas comunidades, por meio da criação de políticas de preço mínimo, cursos, organização da cadeia produtiva, quebra da exploração trabalhista e inserção das mulheres no beneficiamento da fibra para produção de artigos diversos. Um dos reflexos dessas políticas é o resgate das tradições culturais, língua e modos de vida de uma aldeia Pataxó existente em Porto Seguro, a partir da extração e beneficiamento sustentável da piaçava no território da Reserva Awê.

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