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Pescadores Artesanais

Publicado: Quinta, 07 de Julho de 2016, 15h57 | Última atualização em Quarta, 13 de Julho de 2016, 17h58 | Acessos: 749

Introdução

Não existe um consenso sobre a definição técnica do termo pesca artesanal, que também pode ser chamada de pesca em pequena escala. Seu entendimento é muitas vezes construído na oposição à pesca em larga escala, industrial, que utiliza recursos inacessíveis aos pescadores artesanais. Recorremos, portanto, ao conhecimento subjetivo do baiano Robinson:

“A gente tem que respeitar o mar porque ele é muito importante. A gente não pode brincar, entendeu? Se a gente brincar, o que acontece? Machuca a gente, quebra nossa embarcação, aí dá prejuízo para nós. Então a gente tem que respeitar o mar. E quando ele tá manso, a gente faz nossos fretes, nossas pescarias, entendeu? Ganha o trocadinho do mar, que é o único dinheiro que a gente tira do mar, que consegue arrancar porque a gente vive da pesca [...]. Nossa praia para nós é sagrada.” 1- Robinson, pescador em Itapoã

As comunidades de pescadores artesanais estão espalhadas por rios, lagos e toda a costa brasileira e são, por isso mesmo, muito diversas entre si. O elo entre esses diferentes grupos é o cotidiano de trabalho com as águas, labuta que é possível devido a um acúmulo de conhecimentos locais específicos sobre vento, maré, cheias e vazantes, posição e movimento dos cardumes, entre outros, sempre aliado a técnicas tradicionais de pesca e navegação.

As águas representam ao mesmo tempo fonte de renda e de tragédia, impondo uma natureza múltipla que se apresenta ora como provedora, ora como destruidora. A pesca não é uma atividade garantida, ou mesmo fácil. É comum que pescadores experientes retornem com pouco peixe, menos do que o necessário para financiar a expedição. Em muitos lugares essa dinâmica é encarada como um jogo, um eterno perde e ganha submetido ao capricho dos deuses e à esperteza, tanto do peixe quanto do pescador, ambos em disputa permanente pela própria vida.

A água alcança, portanto, a condição de sagrada. Nela, vida e morte se realizam. Os pescadores artesanais compreendem profundamente essa relação, absorvendo conhecimentos empíricos e lendas em seu cotidiano de trabalho. Por toda a costa brasileira, acima de todas as variações e sotaques regionais presentes entre os diferentes grupos de pescadores, haverá sempre uma relação próxima com as águas, algo de respeito e desafio, algo que atrai e aterroriza, que nutre e mata. Eis uma das expressões do sagrado e da relação complexa que os pescadores artesanais estabelecem com suas águas.

 

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