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Pescadores Artesanais

Publicado: Quinta, 07 de Julho de 2016, 15h57 | Última atualização em Sexta, 08 de Julho de 2016, 16h07 | Acessos: 46

Histórico

Atividade extrativista anterior à agricultura, a pesca e a coleta de frutos do mar são fatores determinantes na alimentação de comunidades humanas desde a pré-história. No Brasil, temos o litoral Sul e Sudeste povoado por diversos sambaquis, estruturas construídas por tribos indígenas a partir de conchas e outros restos calcários de mariscos, datando até 8.000 anos atrás. Também há registro de instrumentos de pesca como anzóis feitos de osso, pequenas redes de fibras naturais e jangadas simples, demonstrando a profundidade ancestral da relação entre homem e pesca no Brasil.

As transformações se aceleram com a chegada dos europeus no século XVI, que absorvem as tradições e conhecimentos indígenas para acrescentar sua contribuição tecnológica na forma da pequena embarcação, das redes e dos instrumentos de metal, como o anzol, elementos que, combinados, aumentaram significativamente a produtividade do pescador na costa brasileira. Ao longo dos séculos que se seguiram, as comunidades pesqueiras estabelecidas aprofundaram seus conhecimentos locais e técnicas de pesca, materializando uma tradição que hoje funciona como elemento integrador e identitário destes grupos.

A transformação acelerada seguinte se deu com a chegada do barco motorizado entre as décadas de 1920 e 1940. O motor deu fôlego inédito aos pescadores artesanais, que agora poderiam alcançar áreas distantes, reconfigurando o que era até este momento a área de pesca de cada comunidade e as técnicas envolvidas em sua execução. Nasce a pesca embarcada, modalidade onde os pescadores passam vários dias no mar em busca de cardumes e regiões mais férteis.

Nestas mesmas décadas também surge um sistema a princípio incipiente, mas que ganhou força para realizar impactos profundos no modo de vida dessas comunidades: a indústria da pesca. Nas primeiras décadas surge como compradora de espécies comercialmente valorizadas, o que gradativamente aprofundou a especialização dos pescadores e a sobrepesca dos peixes mais visados. Com o passar dos anos, essa indústria se torna mais dinâmica e mais presente nas comunidades, exercendo uma demanda cada vez maior pelos pescados, ampliando a competição e a pressão sobre o meio ambiente.

Finalmente, a partir da década de 1950, ocorreu a chegada da especulação imobiliária ao litoral e áreas turísticas do interior. Primeiro ao redor dos grandes centros e nas décadas seguintes chegando a todo o país, transforma profundamente o ambiente dos pescadores artesanais. Um cenário onde, durante séculos, a terra era farta e tinha pouco valor. A partir da chegada dessas forças, as comunidades de pescadores precisam lidar com um ator poderoso, dedicado a adquirir suas terras e transformar a paisagem em nome do lucro do turismo e da construção civil. Atualmente essa é uma realidade com que grande parte das comunidades de pescadores artesanais precisa lidar, sendo que o resultado normalmente é a desconfiguração de suas dinâmicas tradicionais para acomodar os interesses externos.

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