Ir direto para menu de acessibilidade.
Página inicial > Histórico
Início do conteúdo da página

Ilhéus

Publicado: Quinta, 07 de Julho de 2016, 15h06 | Última atualização em Sexta, 08 de Julho de 2016, 15h56 | Acessos: 49

Histórico

A origem dos ilhéus remonta à década de 60. Ainda remanescente da economia cafeeira, o norte do Paraná era um dos grandes produtores de café, principalmente as cidades às margens do rio Paraná e próximas às ilhas do rio. Com uma crise de superprodução nesta década, o Governo incentiva a redução da produção para contornar a desvalorização do produto. A queda na produção faz boa parte das terras destinadas ao café passarem a ser usadas para a pecuária. O café necessita de muita mão de obra, enquanto a pecuária não. Isso gerou o êxodo de mais de 60 mil habitantes da região e muitos deles foram procurar refúgio e trabalho nas ilhas. Os primeiros habitantes formaram as comunidades ilhéus e dedicaram-se a uma diversificada produção agrícola, pois as terras banhadas pelo rio Paraná em esquemas de cheias e vazantes continham mais nutrientes do que as terras para além das margens do rio. Além disso, animais de pequeno porte também eram criados, bem como a pesca ganhou importância para a vida dos habitantes.

Antes desse processo, as ilhas apresentavam baixa densidade populacional. A partir daí, formou-se uma população nos arquipélagos, que vivia de forma sustentável e única em meio às ilhas e margens do Rio Paraná.

A instalação da Hidrelétrica de Itaipu e de outras menores ao longo do curso do rio Paraná, a poluição das águas do rio em função dos esgotos e dos insumos químicos jogados no rio Paraná sem tratamento, a prática cada vez maior da pecuária e o assoreamento do rio levaram à criação do Parque Nacional Ilha Grande, uma unidade de conservação restritiva com intensa fiscalização para quem permanece no local que praticamente inviabiliza o modo de vida ilhéu, tendo em vista que grande parte da população não teve mais condições de se manter no território e acabou migrando para as cidades do entorno, piorando a situação de fragilidade social, ou indo para acampamentos e ingressando mais tarde em movimentos pela reforma agrária.

A criação das usinas, especialmente a de Itaipu, ocasionou grande mudança no sistema de cheia dos rios, aumentando o nível das águas e levando a enchentes frequentes. O modo de vida das comunidades tradicionais foi profundamente afetado pelas usinas, ocasionando a perda das terras e a dificuldade na pesca, principal meio de subsistência. Os pecuaristas aproveitaram-se do estado de fragilidade causado pela inviabilização dos modos de produção e se apropriam das terras de ribeirinhos por preços irrisórios. 

registrado em: ,
Fim do conteúdo da página