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Extrativistas

Publicado: Quarta, 06 de Julho de 2016, 18h24 | Última atualização em Sexta, 08 de Julho de 2016, 15h44 | Acessos: 450

Histórico

Os povos indígenas, habitantes primitivos do Brasil já realizavam extrativismo (caça, pesca e coleta de produtos naturais) como forma de subsistência dentro de agrupamentos nômades ou sedentários, antes da ocupação portuguesa. Parte dessa cultura se manteve, especialmente no norte/nordeste do país, na Floresta Amazônica, derivada e mantida pelas culturas indígenas remanescentes, mas também desenvolvida pelos povos e comunidades que surgiram a partir dos ciclos migratórios e econômicos e da miscigenação cultural entre os índios, europeus e africanos, como o caboclo, os povos ribeirinhos, pescadores artesanais etc.

A atividade de extração com finalidade comercial teve início no Brasil já no primeiro ano de domínio português, com a descoberta e exploração do Pau Brasil no litoral sul e sudeste. Essa exploração durou até cerca de 1530, em tal quantidade que exauriu suas reservas. As primeiras ondas de extração exploraram principalmente madeiras e metais preciosos.

As capitanias hereditárias trouxeram mais pessoas dispostas a povoar o território da então colônia e outros ciclos econômicos se sucederam: cana de açúcar, extração de ouro, látex da seringa, pecuária e café. O extrativismo sempre existiu atrelado ou em paralelo aos ciclos econômicos e produtivos citados.

Enquanto essa exploração comercial que ocorreu nos diferentes ciclos econômicos tinha o caráter primário de produção de riqueza para a Metrópole portuguesa e posteriormente para a república brasileira, o extrativismo de itens vegetais e animais diversos em escala local sempre ocorreu, pautado nos costumes indígenas posteriormente incorporados por outros povos e comunidades. Além disso, esses próprios povoados - a partir de suas próprias necessidades materiais e do crescente conhecimento que adquiriam sobre as possibilidades que os territórios e biomas lhes ofereciam - criaram e aprimoraram outras formas de extrativismo.

A ocupação e consequente exploração da Amazônia, território de diversos povos e comunidades extrativistas, se iniciou no século XVII com a necessidade de se povoar os territórios brasileiros ainda inexplorados e barrar o avanço de outras potências europeias. Esse avanço levou a um contato maior com os indígenas (e posteriormente dos africanos escravizados e trazidos ao Brasil) e ao início da extração de caráter mercantil de várias espécies vegetais e animais. Dentro desse contexto se inicia a exploração e extração do látex da seringa a partir do século XIX para a fabricação de borracha em larga escala.

Os diferentes ciclos de exploração seringueiros subsequentes levaram milhões de pessoas esperançosas de encontrarem uma atividade produtiva viável e uma fonte de renda para suas famílias, porém, na prática, quase todos os trabalhadores encontraram situações de trabalho duras. Com o fim do primeiro ciclo da borracha no início do século XX e a crise de superprodução, muitos trabalhadores foram abandonados pelos antigos empregadores (lembrando que muitos desses trabalhadores eram índios). Assim surgiram as primeiras comunidades seringueiras enquanto povo tradicional, da necessidade direta de sobrevivência na mata e unindo o conhecimento da extração de látex com os conhecimentos tradicionais indígenas. Esses mesmos seringueiros, junto a diversas tribos e etnias indígenas, nos anos de 1970 foram responsáveis pela mudança de paradigmas na forma como o governo lida com a questão agrária e a demarcação de terras. Se organizando em sindicatos, associações de trabalhadores e conselhos e partindo para a luta e ação direta, os seringueiros e indígenas reivindicavam ao mesmo tempo melhores condições de trabalho, acesso aos territórios ameaçados e luta pela sustentabilidade e contra a exploração predatória das matas.

A criação do Conselho Nacional dos Seringueiros – CNS, em 1985, o processo de autodeterminação dos seringueiros como povo tradicional e a figura de pessoas como Chico Mendes levaram os seringueiros e, por consequência, os povos extrativistas, a importantes ganhos de longo prazo; dentre eles, a criação do conceito e da figura jurídica das Reservas Extrativistas – RESEX, unidades de conservação da natureza sob controle do Governo Federal que permitem a extração sustentável de produtos diversos e têm a intenção de respeitar e proteger os modos de vida, usos, costumes e atividades produtivas dos povos extrativistas, dentre eles os seringueiros.

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