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Ciganos

Publicado: Quarta, 06 de Julho de 2016, 16h30 | Última atualização em Sexta, 08 de Julho de 2016, 15h42 | Acessos: 141

Histórico

“Os Rom brasileiros pertencem principalmente aos subgrupos Kalderash, Machwaia e Rudari, originários da Romênia; aos Horahané, oriundos da Turquia e da Grécia, e aos Lovara. A eles se juntam os Calon, com grande expressão em todo o território nacional, oriundos da Espanha e Portugal. Os Sinti chegaram em nosso país principalmente após a Primeira e Segunda Guerra Mundial, vindos da Alemanha e da França.”2

A origem dos ciganos remonta há cerca de 1000 anos, saídos possivelmente do norte da Índia em várias ondas migratórias. Estes grupos seguiram duas rotas principais: uma para os Bálcãs e Europa e outra para o norte da África e Egito. Uma vez na Europa, eles se espalharam por todas as nações constituindo etnias diferentes de acordo com o local para onde foram, mas ainda com certa unidade cultural. Há séculos sofrem preconceito em quase todos os lugares por onde passam, tanto por sua cultura diferenciada quanto pelo nomadismo. Por não se encaixarem nas culturas locais, eram atribuídos a eles uma série de crimes, muitas vezes de forma oportunista e injusta.

Os primeiros ciganos que chegaram ao Brasil eram Calon e vieram de Portugal ainda no século XVI como degredados e como parte de um programa da Corte Portuguesa para povoar a recente colônia. Antes disso, a Corte Portuguesa os deportava principalmente para a África. Tanto na Europa como no Brasil posteriormente, havia sempre um conjunto de leis prevendo castigos e prisões para os ciganos pelos mais diversos motivos. Em 1613 um decreto da Coroa portuguesa determinava que os ciganos encontrados vagando pelo Brasil, por exemplo, deveriam ser açoitados e presos. Inicialmente eles eram enviados principalmente à Capitania do Maranhão, mas no século XVII várias capitanias passam a recebê-los, principalmente as da Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e Paraíba. Vários ciganos seguiram da Bahia para Minas Gerais nessa época.

Em 1718, foi instituído um decreto que proibia os ciganos de falar sua língua e de ensiná-la aos seus filhos, em uma tentativa de extingui-la. Em São Paulo, no século XVIII, decretou-se a expulsão de ciganos da cidade em até 24 horas sob pena de prisão, com a alegação de que eles causavam problemas diversos. No início do séc. XIX começam a chegar ao Brasil os ciganos Rom com suas famílias. Em 1880 começa a onda migratória dos Sinti, junto com colonos alemães e italianos. Por conta das atividades exercidas neste período, de comerciantes e ferreiros principalmente, os ciganos passam a ser mais respeitados pela sociedade. Porém, com o movimento Republicano do fim do século XIX e sua intenção de criar um nacionalismo pautado na ordem, progresso e na construção de uma identidade nacional única, os ciganos novamente foram entendidos pelas autoridades como uma ameaça a essa unidade por conta de sua diversidade cultural, voltando a ser perseguidos institucionalmente.

Em 1938, o Governo Vargas decretou a proibição de ciganos desembarcarem no Brasil, mesmo com o visto em dia. Além disso, eles não foram incluídos no Primeiro Programa Nacional de Direitos Humanos, da década de 90, apenas no Segundo, e após intensa pressão social.

Em 2010 os ciganos foram, pela primeira vez, mapeados no Censo do IBGE. Os dados comprovaram que há acampamentos em 291 cidades e 21 Estados brasileiros, exceto no Amapá, Rondônia, Roraima, Amazonas e Acre. O Estado da Bahia apresenta o maior número de acampamentos. Os acampamentos ciganos são compostos de barracas de lona geralmente montadas em terrenos vazios. É importante ressaltar que, apesar do nomadismo, hoje boa parte dos ciganos leva uma vida sedentária, morando em casas, e que o Censo do IBGE desta edição não conseguiu abarcar esses ciganos, contabilizando apenas os acampados. Em 2006, o governo federal instituiu o Dia Nacional dos Ciganos no dia 24 de maio. É o mesmo dia da santa Sara Kali, cultuada por algumas das etnias ciganas.

Ao longo de sua história no Brasil, os ciganos exerceram diversas atividades produtivas. Os homens se ocupavam com a ourivesaria, o conserto de objetos de cobre e latão, comércio de burros e cavalos, comércio de escravos, artesanato de cobre e atividades circenses e artísticas. As mulheres dedicam-se principalmente à dança e leitura da sorte nas linhas da mão. 

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