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Ciganos

Publicado: Quarta, 06 de Julho de 2016, 16h30 | Última atualização em Quarta, 13 de Julho de 2016, 19h37 | Acessos: 97

Características

Localização: Os ciganos nômades encontram-se em 291 municípios de 21 Estados, segundo o IBGE (exceto Amapá, Rondônia, Roraima, Amazonas e Acre). Não há dados institucionais sobre os ciganos sedentários.

Possuem uma cultura própria que os define enquanto etnia, ao mesmo tempo em que respeitam e incorporam (sem perder sua própria cultura) parte das práticas típicas dos locais onde estão, como muitas vezes se dá com a religião e a língua.

Os ciganos brasileiros apresentam grande diversidade entre si, tanto de origens quanto de línguas e costumes. Os ofícios exercidos pelos ciganos diferem por etnia. Boa parte dos ciganos se dedica a algum tipo de comércio de itens diversos (antigamente cavalos, mulas e escravos, tecidos roupas, joias; atualmente, itens de uso doméstico). Além disso, outros dedicam-se às artes circenses, teatrais e musicais. As mulheres dedicam-se à arte da quiromancia, ou leitura do destino pela linha das mãos, e cartomancia. Por muito tempo, utilizaram os cavalos como importante meio de transporte humano e de carga.

Prezam muito pela família e pelos laços comunitários criados entre famílias dos mesmos acampamentos ou que residem no mesmo território. Os casamentos ocorrem até os 20 anos de idade, com intervenção e anuência das famílias. Quando se casam, a esposa é incorporada à família do marido. Ressaltam sua cultura e costumes por meio de danças, músicas sertanejas e de raiz ibérica e festas diversas.

“Para a população cigana, as relações familiares são os pilares sustentadores da comunidade. É comum casamentos a definição dos cônjuges por familiares ainda na infância, sendo raro casamento entre ciganos e não ciganos, apesar de haver tendência contrária nos dias atuais.” 3

O fogo tem papel central na vida do acampamento, simbolizando a culinária tradicional e a comunhão familiar por meio da alimentação. Todos os assuntos importantes são resolvidos ao redor do fogo (fogueira, fogão a lenha ou na cozinha). Compartilhar o alimento expressa a amizade e o estreitamento de laços dentro dos grupos.

É muito difícil para um não-cigano desvincular a pessoa da imagem genérica e estereotipada construída há séculos a respeito dos ciganos, quase sempre pejorativa. A literatura, os documentos oficiais, os relatos antigos e diversos outros documentos que registram algo a respeito dos ciganos geralmente o fazem de forma a não apenas não reconhecer sua autodeterminação, como acabando por reforçar o preconceito a esta minoria social. Sendo assim, é possível afirmar que a história dos ciganos, independentemente da etnia e da época, é marcada pela luta contra suspeitas, despejos, perseguições, injúrias, acusações infundadas e desconfiança das populações e governos.

Outro erro comum é associar os ciganos a uma cultura unificada, negando suas singularidades e múltiplas identidades e etnias. Por exemplo, apesar da imagem difundida de que todos os ciganos são nômades, muitos deles já se sedentarizaram há gerações, mantendo em maior ou menor grau outras características culturais. Além disso, para muitos, tanto o nomadismo quanto o sedentarismo não são apenas uma característica cultural, mas uma imposição causada pelas perseguições sistemáticas que sofrem na maioria dos lugares onde se instalam. Da mesma forma, o nomadismo não permite a disponibilidade para o exercício do trabalho regular típico do sistema capitalista, tendo em vista que os nômades se locomovem constantemente, diversas vezes percorrendo grandes distâncias. Por conta disso, muitos grupos ciganos acabam aderindo ao sedentarismo.

A falta sistemática de dados confiáveis a respeito dos ciganos nômades e sedentários demonstra a falta de interesse estatal por esta cultura e impede a construção de políticas efetivas que contribuam para a sua melhoria de vida quanto à saúde, educação, acesso à terra e demais direitos constitucionais básicos, forçando-os a um estado de invisibilidade política e social. Essa falta de acesso e garantias por parte do governo, além da comum falta de saneamento básico nas áreas de acampamento, impõe aos ciganos uma maior suscetibilidade para doenças que poderiam ser facilmente evitadas e tratadas.

Há uma alta taxa de analfabetismo entre os ciganos, principalmente pela dificuldade em matricular as crianças nas escolas dos municípios por onde passam, devido à falta de endereço fixo. Esse fato também dificulta seu acesso às políticas de saúde e programas sociais do governo, mantendo-os à margem da sociedade. Dificilmente eles conseguem acesso a programas sociais do governo e ao uso dos equipamentos públicos das cidades onde estão acampados, levando a maioria dos ciganos a uma grande vulnerabilidade social.

Diante desse quadro, os ciganos têm se mobilizado em associações com o intuito de afirmar uma identidade cigana plural e desvinculada de preconceitos históricos, reivindicando o status de minoria social e de povo tradicional. Reivindicam também o acesso a políticas públicas e a criação de leis que protejam seus modos de vida.

 

Referências

TEIXEIRA, Rodrigo Corrêa. História dos ciganos no Brasil. Recife: Núcleo de Estudos Ciganos, 2008. 127 p.

COSTA, E. M. L. Contributos ciganos para o povoamento do Brasil (séculos XVI-XIX). Arquipélago - História . n. 2, v. 9, 2005. p. 153-181.

VAZ, Ademir Divino. José, Tereza, Zélia... e sua comunidade: um território cigano. Revista Trilhos – Revista da Faculdade do Sudeste Goiano. Pires do Rio. v. 3, n. 3, 2005. p. 95-109

BRASIL. Presidência da República. Guia de Políticas Públicas para Povos Ciganos. Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Brasília, 2013. 21 p. *Citação 2

ALMEIDA, M. G.; BARBOSA, D. R. M.; PEDROSA, J. I. S. Trilhas da iniquidade: saúde de povos ciganos e políticas públicas no Brasil. Revista Eletrônica Gestão & Saúde. v. 4, n. 3, Ano 2013. p.1116-29 *Citação 1 e 3

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