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Catadores de Mangaba

Publicado: Quarta, 06 de Julho de 2016, 16h21 | Última atualização em Sexta, 08 de Julho de 2016, 15h24 | Acessos: 525

Histórico

“A memória oral registra que no passado recente a existência de mangabeiras no município era exclusivamente provida por Deus e atendia a todas as necessidades dos antigos residentes, provavelmente porque a oferta excedia a demanda, num contexto em que a fruta se destinava apenas ao consumo.”3

“O acesso dos habitantes locais aos campos naturais de mangabeira se constitui em uma das práticas mais antigas no conjunto das estratégias de sobrevivência das populações tradicionais das áreas de restinga em Sergipe.”4

A coleta de mangaba para fins de subsistência remonta há pelo menos dois séculos.  Porém, sua exploração comercial é recente, ocorrendo desde as últimas décadas, e está ligada à destruição das áreas de coleta de caranguejos causada pela a exploração intensiva dessa atividade e pela especulação imobiliária que transformou o litoral sergipano desde a década de 90, destruindo os mangues. A partir da escassez de camarões, as comunidades e famílias precisaram diversificar a atividade econômica para composição de renda, passando a comercializar a mangaba.

No início da história da prática desta atividade, a coleta de mangaba ocorria em áreas consideradas de uso comum, sem donos declarados, que foram progressivamente sendo cercadas por proprietários individuais, não estando em posse das catadoras de mangaba. Atualmente, existem conflitos para acesso às mangabeiras em terras sob posse privada, devido a um maior interesse dos proprietários em explorar comercialmente as mangabas (não permitindo mais que as coletoras acessem as árvores), além da destruição das mangabeiras para plantio de coqueiros para exploração do coco, da criação de camarão em viveiros e da construção de complexos turísticos. Com isto, parte da população se vê obrigada a deslocar-se para as zonas urbanas, perdendo o vínculo tradicional com a coleta de mangaba.

A mudança das práticas de coleta também denuncia o impacto na representação da mangaba na vida das coletoras. Antes, o fruto colhido era apenas o que caía sem intervenção humana, já maduro e com pouco tempo para o consumo, pois logo se deteriorava. Atualmente, também se coleta o fruto antes de amadurecer, cortando-o do pé e promovendo um amadurecimento artificial. Este processo é necessário para que a fruta, muito delicada, tenha mais tempo útil para ser transportada e vendida em pontos mais distantes, além de ser beneficiada de diversas formas, principalmente no mercado de polpas e sorvetes. Assim, a intenção da coleta passa do consumo próprio para a comercialização, atendendo a demandas cada vez maiores do mercado.

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