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Castanheiras

Publicado: Quarta, 06 de Julho de 2016, 16h13 | Última atualização em Quarta, 13 de Julho de 2016, 19h33 | Acessos: 182

Histórico

“A Amazônia brasileira foi e continua sendo estruturada na extração de matéria-prima para exportação e na relação entre sociedade e exploração da natureza, subordinada ao sistema político e econômico vigente em cada época.” 2

No Brasil Colônia, a exploração produtiva e comercial da Amazônia demandou a vinda de escravos da África ao longo de séculos para trabalhar na extração e cultivo de cacau e cana de açúcar. Entre os séculos XIX e XX, a borracha passa a ser o produto mais valioso da região, seguido pela extração de castanha e extração mineral, ainda em expansão. Os escravos fugidos e libertos (somados a outros grupos excluídos e marginais, como índios e foragidos) organizaram-se em quilombos e mocambos no interior das matas a fim de resistir às incursões dos capitães do mato e para sobreviver à dura vida na floresta fechada, fazendo da extração de castanha e outros gêneros, coleta e caça, sua principal fonte de subsistência. Com o fim da escravidão, os quilombos puderam estruturar-se e produzir roçados também, além de estarem mais próximos dos centros urbanos, para onde levavam o excedente da extração da castanha para comercialização.

No período da corrida da borracha, milhares de pessoas também migraram para o Norte em busca de melhores oportunidades e condições de vida e trabalho. O fim do ciclo da borracha fez com que os migrantes diversificassem o extrativismo e passassem a coletar e beneficiar castanhas.

O interesse do mercado internacional pela castanha do Pará tornou-a um produto cobiçado, levando à expropriação de terras dos quilombos e à posse das terras até então livres, por parte de posseiros e comerciantes que se proclamavam “donos das terras”. Isso culminou no processo de exploração do trabalho conhecido como patronagem ou aviamento, que subordina o castanheiro ao intermediário por meio da servidão por dívidas, ficando com sua produção por preços irrisórios. Atualmente, a implantação de unidades de conservação em sobreposição aos territórios castanheiros e a exploração mineral que ameaça seus territórios e formas de vida são os principais desafios enfrentados por esse povo.

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