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Apanhadores de Sempre-vivas

Publicado: Quarta, 06 de Julho de 2016, 14h45 | Última atualização em Quarta, 13 de Julho de 2016, 19h31 | Acessos: 616

Histórico 

“Não é a natureza que faz parte de nós, nós é que fazemos parte dela.” (Moradora das margens do Jequitinhonha)

Os Apanhadores de flores sempre-vivas têm seus hábitos descritos desde o início do século XIX. Sua origem está intrinsecamente ligada à povoação dessa região mineira a partir da exploração para a coroa portuguesa, sendo comunidades remanescentes desse processo de ocupação.

O modo de vida tradicional desses grupos conjuga atividades de coleta, cultivo de roçados e criação de animais valendo-se dos potenciais do ecossistema local. Porém, passaram a sofrer no período mais recente pressões da sociedade mais ampla, ou externa à realidade local, chamados por eles de “os de fora”. Atualmente, uma das principais ameaças ao seu modo de vida refere-se à criação de parques estaduais e de um parque nacional (áreas de preservação integral) sobrepostas aos campos de coleta tradicionais - a exemplo do Parque Nacional Sempre-Vivas (PARNA), com aproximadamente 20 comunidades atingidas contando com 2500 pessoas, sendo algumas comunidades remanescentes de quilombo.

A Serra do Espinhaço e adjacências abrigam um Mosaico de Unidades de Conservação do Espínhaço: Alto Jequitinhonha-Serra do Cabral, que abarca 14 municípios mineiros. Este mosaico começou a ser criado há 20 anos e conta hoje com uma estação ecológica, seis parques (cinco estaduais e um federal), sete áreas de proteção ambiental (seis municiais e uma estadual) e duas reservas particulares estaduais. A área total (sem sobreposições) abrange 919.800 hectares.

É inegável a importância e necessidade das unidades de conservação para a preservação dos ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, e para a manutenção do patrimônio natural da região. Tanto para os técnicos e cientistas como para as comunidades, a Serra do Espinhaço é vista como local de renovação de energias e de beleza singular. Porém, essas unidades de conservação apresentam graus variados de restrição às práticas tradicionalmente desempenhadas pelas comunidades coletoras de sempre-vivas. Desde o início das demarcações, tensões foram deflagradas e o modo de vida das comunidades apanhadoras de flores tem sido comprometido com sérias conseqüências à reprodução sociocultural das famílias.

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